O governo do presidente dos Estados Unidos Donal Trump, impôs na última quarta-feira (15) uma taxação adicional de 25% aos produtos brasileiros.

Após o anúncio de novas tarifas, a bolsa de valores (Ibovespa B3) teve um recuo de 1,24% nesta quinta-feira (16).

As sanções aplicadas pelo governo estadunidense refletem também na vida dos brasileiros que moram nos Estados Unidos, de acordo com o advogado Adriano Murta, especialista em Direito Tributário e estruturação empresarial, o impacto pode variar de acordo com o consumo.

O impacto tende a variar conforme o perfil de consumo e de renda desses brasileiros, mas, de forma geral, produtos importados do Brasil que chegarem ao mercado americano com tarifas mais elevadas podem sofrer reajustes de preço ou perder competitividade, reduzindo sua oferta. Além disso, brasileiros que possuem negócios diretamente ligados à importação, distribuição ou comercialização de produtos brasileiros nos Estados Unidos podem enfrentar aumento de custos e redução de margens. Embora o consumidor final possa sentir efeitos pontuais, o impacto econômico mais relevante tende a ocorrer sobre empresas e cadeias produtivas que dependem do comércio bilateral”, afirma.

De acordo com o relatório do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos), órgão ligado às novas tarifas a produtos brasileiros, as taxas podem aumentar caso o Brasil faça algum tipo de retaliação.

Sobre o assunto, Adriano afirma que uma escalada tarifária pode ir além do comércio entre os dois países e afeta a segurança de investidores.

Um processo de escalada tarifária tende a produzir efeitos que vão além do comércio entre os dois países. Quando há sucessivas medidas de retaliação, aumenta a insegurança para empresas, investidores e cadeias globais de suprimentos, dificultando o planejamento de longo prazo. Isso pode levar ao adiamento de investimentos, aumento de custos logísticos e maior volatilidade cambial, além de pressionar preços em determinados setores. Para o investidor, momentos como esse reforçam a importância da diversificação geográfica do patrimônio e da construção de estratégias menos dependentes de um único mercado ou de decisões pontuais de política comercial. Em cenários de maior incerteza, ativos distribuídos entre diferentes jurisdições tendem a oferecer maior resiliência e previsibilidade.”

Com a decisão de taxar em 25% os produtos brasileiros, o Brasil se tornou o país com maior aumento das tarifas de importação desde a volta do governo Trump ao poder, seguido da Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China respectivamente.

Causas por trás do tarifaço

Por trás da decisão dos Estados Unidos há uma tentativa de interferência na soberania do Brasil. Em junho o USTR sugeriu a sobretaxa após Donald Trump mostrar descontentamento com o Pix e a derrubada de perfis e redes sociais norte-americanas.

Um exemplo de interferência em outros países é o caso da Índia, o país anunciou que não compraria petróleo russo. A importação do produto gerou uma taxa de 25% sobre produtos indianos, que foi retirada após a decisão.

De acordo com a internacionalista Suzany Ferreira, imaginar que o tarifaço seja apenas política industrial é um equívoco.

A questão da taxação pode afetar as relações no curto prazo porque claramente há motivações políticas por trás da tarifação. Imaginar que é só uma política industrial ou comercial é equívoco. Há uma intenção clara do Marco Rubio de atingir o Presidente Lula e influenciar nas eleições. Acho que o diálogo político tende a ficar prejudicado entre ambos os países”, disse ao Giro Cultural.

Ainda de acordo com Suzany, é importante o Brasil não se intimidar com a taxação pois há outros comércios que podem favorecer o país.

Eu acho que as tarifas prejudicam enormemente o próprio mercado americano, na medida em que os produtos brasileiros ficam mais caros. Há um sério risco de inflação nos EUA, e o desvio de comércio em favor de países como a China ou blocos como a UE é um opção para o Brasil. No mais, no médio e no longo prazo, será muito prejudicial para os EUA. O importante é o Brasil não se intimidar”.

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